A aparência também pode ser determinante no ambiente profissional. É preciso ser prudente na escolha de roupas e acessórios, além de cuidar da higiene e da postura
A primeira impressão é a que fica. Embora esse ditado seja motivo de controvérsias no meio social, vale a pena considerá-lo quando o assunto é trabalho. A imagem inicial passada por qualquer profissional é decisiva para quem contrata. E se vestir adequadamente no ambiente corporativo é um verdadeiro desafio para alguns. O clima tropical do país e a conhecida atitude despojada dos brasileiros colocam muitos gestores de RH frente à constrangedora tarefa de vigiar colegas que insistem em ignorar as regras do bom senso. Usar saias curtas demais, decotes ousados e peças transparentes ou dispensar a gravata quando ela é obrigatória são alguns exemplos. “No espaço organizacional, representamos um personagem que exige um comportamento apropriado. É preciso ter coerência com as roupas. A empresa não é nossa casa e os trajes de lazer devem ser reservados somente para tais momentos”, adverte a consultora de imagem Rosanna Tarsitano.
A especialista pondera que homens e mulheres são suscetíveis a erros em relação ao que vestem, mas o universo feminino é mais vulnerável aos deslizes, já que a diversidade do guarda-roupas delas é maior. “A máxima que diz que ‘menos é mais’ deve ser seguida à risca pelas profissionais. Antes de sair de casa, olhe no espelho e pergunte: eu daria crédito a essa pessoa? Eu a contrataria?”, sugere Rosanna. Segundo ela, exageros como salto agulha, sandálias de festa, batom extravagante, estampas e cores em excesso, roupas justas e ousadas são desastrosos para qualquer imagem. “Todo mundo observa a forma como nos vestimos”, ressalta. Para não errar quando a atmosfera é mais formal, a consultora aconselha calças clássicas, tailleur, vestidos lisos e discretos de tecido encorpado, saia na altura dos joelhos.
Muitas empresas são menos exigentes em relação ao vestuário, o que não significa dizer que tudo é permitido. Mesmo as instituições mais descoladas estão inseridas no mercado de trabalho, prestam serviço ou têm contato com outras companhias que, eventualmente, são mais tradicionais. “Perceba como se vestem os seus superiores. Adote algo parecido e imprima a sua identidade nos detalhes. É perfeitamente possível mantê-la, mesmo seguindo o dress code da empresa”, garante Rosanna. Para os homens, se o terno não for obrigatório, uma camisa social com a manga dobrada para dar um ar mais jovial está dentro das regras aceitas. Os sapatos devem estar sempre limpos e engraxados. “Se a pessoa trabalha na área de criação de uma agência de publicidade e não tem contato algum com o público, tudo bem trabalhar de bermuda e camiseta de banda de rock. Mas, isso é uma exceção. Em geral, os homens devem evitar jeans rasgados e sempre optar pela discrição”, indica a consultora.
A gerente de RH da MGarzon Eugenio Empreendimentos Imobiliários, Daniele Dutra, assegura que a inadequação na maneira de se vestir é mais comum do que se pensa e traz problemas tanto para os colegas de trabalho quanto para a própria empresa. “Todo profissional recebe instruções no momento da contratação. Ainda assim, enfrento situações desagradáveis e tenho que puxar a orelha daqueles que não aceitam o código de vestuário da corporação. Os homens são mais colaborativos que as mulheres”, denuncia. Segundo Daniele, a questão da higiene pessoal é tão fundamental quanto a vestimenta. “Unhas limpas e cuidadas são requisitos básicos para ambos os sexos. A mesma recomendação vale para os cabelos. Os rapazes não podem descuidar da barba. A etiqueta corporativa pede perfumes suaves. Guardem as fragrâncias fortes para o fim de semana”, recomenda a gerente, que confessa ter fama de general. “Já vi muitas vendas serem perdidas por pura inadequação de corretores”, lamenta.
Mas os bons exemplos também existem. O gerente de vendas Jorge Silveira, 28 anos, não hesitou em cortar os longos cabelos para estar dentro dos padrões estipulados pela empresa. “Vestia-me adequadamente, mas não passava uma boa impressão. Certa vez, o entrevistador nem quis saber das minhas habilidades. Me dispensou sem qualquer conversa. Cortei o cabelo e ainda lucrei porque consegui vendê-lo. E trabalhar de terno já virou hábito, passa muito mais credibilidade”, pondera. A corretora Lilian Ribeiro Valença, 34, nunca teve dificuldade em se adequar. “É constrangedor trabalhar em um ambiente com colegas sem bom senso. Me sinto envergonhada por elas e não encontro justificativas para não se vestirem de acordo com a ocasião. As informações estão todas à mão. Imagem é tudo”, assegura.
Jogo de cintura
De acordo com Paulo Marques, consultor do Coaching Clube, os bons profissionais ajustam a conduta com a imagem que as empresas buscam projetar para os clientes, os parceiros e a opinião pública. “Quem não observa a etiqueta corporativa pode inviabilizar negociações. A postura é um dos elementos mais marcantes na imagem de qualquer profissional. São eles que representam a empresa”, avalia . Popularmente falando, é fundamental ter jogo de cintura para saber se comportar nas mais diversas ocasiões. Desde o envio de um e-mail até a atitude adotada em um almoço de negócios ou confraternização, tudo é observado e levado em conta. “Nos e-mails, é imprescindível usar a linguagem clara, objetiva e correta. Erros na grafia de palavras são inadmissíveis. Não abuse do formalismo para não parecer rebuscado. Busque o equilíbrio. Seja educado e nunca envie uma mensagem de forma impulsiva”, aconselha.
Em jantares e almoços de negócios é preciso avaliar o local e as pessoas que estarão no encontro. Paulo lembra que ter traquejo com talheres e todo o serviço pode ser aprendido em qualquer manual de boas maneiras. “Mais uma vez, é preciso bom senso. Se o ambiente pede formalidade, seja formal até na maneira de cumprimentar as pessoas. Se há um clima de informalidade, a falta de descontração pode trazer constrangimentos. Passar da conta na bebida é imperdoável. Lembre-se de que você não está em família”, aconselha o consultor.
Cause uma boa impressão
Aparência
Exiba e transpire higiene. Cabelo e unhas aparados, dentes
escovados, roupas bem passadas e limpas
Trajes
Para cada ambiente, há uma vestimenta apropriada. Atenção especial ao casual day — dia da semana, geralmente a sexta-feira, em que a empresa permite aos funcionários mais liberdade no vestuário
Acessórios
Cuidado com os excessos. Seja discreto até na escolha do perfume
Postura
Seja elegante, demonstre altivez, autoconfiança e independência. As pessoas gostam de pessoas assim
Vocabulário
Muito cuidado com o que fala, você pode colocar tudo a perder caso não esteja atento. Identifique bem seus interlocutores e a linguagem que deve ser usada
A especialista pondera que homens e mulheres são suscetíveis a erros em relação ao que vestem, mas o universo feminino é mais vulnerável aos deslizes, já que a diversidade do guarda-roupas delas é maior. “A máxima que diz que ‘menos é mais’ deve ser seguida à risca pelas profissionais. Antes de sair de casa, olhe no espelho e pergunte: eu daria crédito a essa pessoa? Eu a contrataria?”, sugere Rosanna. Segundo ela, exageros como salto agulha, sandálias de festa, batom extravagante, estampas e cores em excesso, roupas justas e ousadas são desastrosos para qualquer imagem. “Todo mundo observa a forma como nos vestimos”, ressalta. Para não errar quando a atmosfera é mais formal, a consultora aconselha calças clássicas, tailleur, vestidos lisos e discretos de tecido encorpado, saia na altura dos joelhos.
Muitas empresas são menos exigentes em relação ao vestuário, o que não significa dizer que tudo é permitido. Mesmo as instituições mais descoladas estão inseridas no mercado de trabalho, prestam serviço ou têm contato com outras companhias que, eventualmente, são mais tradicionais. “Perceba como se vestem os seus superiores. Adote algo parecido e imprima a sua identidade nos detalhes. É perfeitamente possível mantê-la, mesmo seguindo o dress code da empresa”, garante Rosanna. Para os homens, se o terno não for obrigatório, uma camisa social com a manga dobrada para dar um ar mais jovial está dentro das regras aceitas. Os sapatos devem estar sempre limpos e engraxados. “Se a pessoa trabalha na área de criação de uma agência de publicidade e não tem contato algum com o público, tudo bem trabalhar de bermuda e camiseta de banda de rock. Mas, isso é uma exceção. Em geral, os homens devem evitar jeans rasgados e sempre optar pela discrição”, indica a consultora.
A gerente de RH da MGarzon Eugenio Empreendimentos Imobiliários, Daniele Dutra, assegura que a inadequação na maneira de se vestir é mais comum do que se pensa e traz problemas tanto para os colegas de trabalho quanto para a própria empresa. “Todo profissional recebe instruções no momento da contratação. Ainda assim, enfrento situações desagradáveis e tenho que puxar a orelha daqueles que não aceitam o código de vestuário da corporação. Os homens são mais colaborativos que as mulheres”, denuncia. Segundo Daniele, a questão da higiene pessoal é tão fundamental quanto a vestimenta. “Unhas limpas e cuidadas são requisitos básicos para ambos os sexos. A mesma recomendação vale para os cabelos. Os rapazes não podem descuidar da barba. A etiqueta corporativa pede perfumes suaves. Guardem as fragrâncias fortes para o fim de semana”, recomenda a gerente, que confessa ter fama de general. “Já vi muitas vendas serem perdidas por pura inadequação de corretores”, lamenta.
Mas os bons exemplos também existem. O gerente de vendas Jorge Silveira, 28 anos, não hesitou em cortar os longos cabelos para estar dentro dos padrões estipulados pela empresa. “Vestia-me adequadamente, mas não passava uma boa impressão. Certa vez, o entrevistador nem quis saber das minhas habilidades. Me dispensou sem qualquer conversa. Cortei o cabelo e ainda lucrei porque consegui vendê-lo. E trabalhar de terno já virou hábito, passa muito mais credibilidade”, pondera. A corretora Lilian Ribeiro Valença, 34, nunca teve dificuldade em se adequar. “É constrangedor trabalhar em um ambiente com colegas sem bom senso. Me sinto envergonhada por elas e não encontro justificativas para não se vestirem de acordo com a ocasião. As informações estão todas à mão. Imagem é tudo”, assegura.
Jogo de cintura
De acordo com Paulo Marques, consultor do Coaching Clube, os bons profissionais ajustam a conduta com a imagem que as empresas buscam projetar para os clientes, os parceiros e a opinião pública. “Quem não observa a etiqueta corporativa pode inviabilizar negociações. A postura é um dos elementos mais marcantes na imagem de qualquer profissional. São eles que representam a empresa”, avalia . Popularmente falando, é fundamental ter jogo de cintura para saber se comportar nas mais diversas ocasiões. Desde o envio de um e-mail até a atitude adotada em um almoço de negócios ou confraternização, tudo é observado e levado em conta. “Nos e-mails, é imprescindível usar a linguagem clara, objetiva e correta. Erros na grafia de palavras são inadmissíveis. Não abuse do formalismo para não parecer rebuscado. Busque o equilíbrio. Seja educado e nunca envie uma mensagem de forma impulsiva”, aconselha.
Em jantares e almoços de negócios é preciso avaliar o local e as pessoas que estarão no encontro. Paulo lembra que ter traquejo com talheres e todo o serviço pode ser aprendido em qualquer manual de boas maneiras. “Mais uma vez, é preciso bom senso. Se o ambiente pede formalidade, seja formal até na maneira de cumprimentar as pessoas. Se há um clima de informalidade, a falta de descontração pode trazer constrangimentos. Passar da conta na bebida é imperdoável. Lembre-se de que você não está em família”, aconselha o consultor.
Cause uma boa impressão
Aparência
Exiba e transpire higiene. Cabelo e unhas aparados, dentes
escovados, roupas bem passadas e limpas
Trajes
Para cada ambiente, há uma vestimenta apropriada. Atenção especial ao casual day — dia da semana, geralmente a sexta-feira, em que a empresa permite aos funcionários mais liberdade no vestuário
Acessórios
Cuidado com os excessos. Seja discreto até na escolha do perfume
Postura
Seja elegante, demonstre altivez, autoconfiança e independência. As pessoas gostam de pessoas assim
Vocabulário
Muito cuidado com o que fala, você pode colocar tudo a perder caso não esteja atento. Identifique bem seus interlocutores e a linguagem que deve ser usada
Texto de : Márcia Neri - Correio Braziliense

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